História

HISTÓRIA DE PIRACAIA

Expansão Bandeirante
A Serra da Mantiqueira foi um grande obstáculo vencido pelas expedições bandeirantes que iam ao interior do país a procura de índios e metais preciosos. Diversos bandeirantes paulistas abriram e consolidaram durante a segunda metade do século XVI e todo o século XVII, um caminho que se iniciava no Planalto Paulista e seguia pelo Rio Paraíba, passando por cidades como Taubaté, Pindamonhangaba, Guaratinguetá e Lorena, até a cidade de Cachoeira onde se atravessava a Garganta do Embaú e a cidade de Passo Quatro para adentrar no Sertão da Mantiqueira.
A tribo indígena que ocupava a região compunha-se dos índios Guaianás, concentrados em uma área pequena, com costumes nômades, porém, com totais condições de sobrevivência. Dispunham de uma rede de pequenos rios que ofereciam peixes e caça em abundância, além de água potável e frutos para a tribo.
No final do século XVII os paulistas descobrem que as Minas do Ribeirão de Ouro Preto, Ribeirão das Mortes e do Rio das Velhas são abundantes, começando assim a corrida pelo ouro no interior do país. A Coroa portuguesa, no intuito de controlar o trânsito do metal e facilitar a cobrança dos impostos define o único caminho permitido para o acesso às minas e para o transporte do metal, que ficou conhecido como Caminho Geral do Sertão.
O caminho se iniciava em Parati, atravessando a Serra do Mar e atingia Guaratinguetá para tomar o caminho dos paulistas, já citado acima.
Em 1710 é iniciada a abertura de outro caminho que vai do Rio de Janeiro para as minas, onde Portugal proíbe o uso da Estrada de Parati para o transporte do ouro. As obras deste novo caminho terminam em 1767 onde começa a ser chamado de Caminho Novo e a Estrada de Parati começa a ser chamada de Caminho Velho. O desuso do antigo caminho não foi total, mas a movimentação do local cai.

Primeiros povoadores
Em 1817 no município de Atibaia destacava-se o bairro de Cachoeira, onde residia Dona Leonor de Oliveira Franco, já casada com o capitão Manoel Manso de Almeida; seu filho o tenente José Antônio; seu neto, o capitão Antônio José de Moraes; seu sobrinho João Corrêa de Almeida e seu escravo Domingos José de Oliveira.
Dona Leonor doou terrenos para construir uma capela em invocação a Santo Antônio, seu filho José Antônio de Oliveira com a ajuda de seus parentes e do escravo Domingos ergueram a ermida em louvor ao Santo. A solenidade de benzer a capela ficou sob-responsabilidade do padre vigário de Nazaré, o ato ocorreu no dia 16 de junho do mesmo ano, data que se comemora o aniversário do município atualmente.
As primeiras edificações do novo povoado são feitas pelos seguintes proprietários: capitão João Corrêa de Almeida, capitão Joaquim Jose da Silva Barroso, capitão Antonio Jose de Moraes Francisco Nogueira, o português João Batista de Oliveira, Dona Maria Escholastica de Ornellas, Antonio de Pádua Ferreira, Thereza Fróes, Pedro Rodrigues de Oliveira e Jose Lopes de Moraes Teixeira.

Origem do Município
A pequena povoação estabelecida ao redor da capela de Santo Antônio solicita em 1829 que seja feita uma capela curada . Donas Leonor previamente atende a solicitação, fazendo à doação de algumas de suas terras a pequena capela em 4 de fevereiro de 1830.
As terras concedidas para a nova povoação começaram no Rio Cachoeira, na barra do Ribeirão que serve à capela. Dona Leonor abdicou desses terrenos por vontade própria, pois desde outrora era seu objetivo construir a capela de Santo Antônio no local. Delimitado os limites da capela, e ainda sem o título de capela curada, o capitão Antônio José de Moraes e outros signatários de representação não se conformaram, solicitando tais alterações por meio de um novo requerimento ao bispo Diocesano. Tal solicitação não dispõe de data, porém há um documento datado de 12 de junho de 1830 onde o vigário-geral, padre Lourenço Justiniano Ferreira, ordenou ao vigário colado da Conceição dos Guarulhos, que fosse fazer a divisão ouvindo os párocos confiáveis e o povo. A formação dessa comissão foi em.
A divisão foi aprovada pelo vigário-geral em 05 de agosto abrangendo o bairro de Curralinho, pertencente à Bragança. Em agosto de 1830 foi nomeado capelão, o padre Camillo José de Moraes Lellis, neto de Dona Leonor e irmão do capitão Antônio José de Moraes. Camillo foi o primeiro padre que veio a Santo Antônio, nomeado capelão curado nesse mesmo ano. Dessa forma ocorreu em 02 de setembro de 1830 o levantamento da pisa batismal, onde o primeiro batizado aconteceu dia 19 próximo. Em 20 de setembro de 1830 foi bento o corpo da igreja e no dia 25 inaugurou-se o primeiro cemitério, situado atrás da igreja onde hoje esta o prédio da casa paroquial. Dona Leonor com idade já avançada veio a falecer em 1835 sendo sepultada na Igreja Matriz de Nazaré.
Em 25 de março de 1836 a capela curada de Santo Antônio foi elevada a categoria de freguesia pela Lei nº 25. A Câmara Municipal de São João de Atibaia passou a incluir em seus orçamentos verbas para os alugueis da casa para prisão no local. O padre Camillo foi nomeado vigário da paróquia, cargo que deixou em 1843, exercendo posteriormente o cargo de Juiz de Paz, o mesmo faleceu em 09 de julho de 1858. Seu corpo foi sepultado na sepultado entre os altares laterais (São José e Nossa Senhora das Dores) da Igreja Matriz.
O capitão Joaquim José da Silva Barroso foi um personagem importante no contexto histórico local. Trabalhava com tecidos no pavimento térreo do sobrado que possuía. Naquele ano de 1836 chegou-lhe um sortimento das fazendas do Rio de Janeiro, e nos fardos dessas fazendas vieram alojadas os vírus da varíola contaminando todos os que moravam em sua casa, transformando-a em um hospital. Após o sofrimento, salvaram-se todos da doença, menos o capitão Barroso, falecendo em 20 de outubro do mesmo ano.
O escravo de Dona Leonor, Domingos de Oliveira Leme, foi um nome de grande importância na construção da Igreja do Rosário iniciada em 1839, sendo concluída pelos esforços de outros negros. Domingos veio a falecer em 1871. Em 30 de novembro de 1843 tomou posse da Igreja Matriz como vigário o padre Antonio Alves Siqueira. Neste mesmo ano existia a agência de coletoria subordinada à coletoria de Atibaia, cujo agente era o capitão Cirino Ferreira de Almeida.
O capitão João Corrêa de Almeida um dos fundadores do povoado de Santo Antônio veio a falecer no ano de 1844. O mesmo pertencia à família de Dona Leonor e trabalhou para o progresso da povoação, auxiliando na construção da capela e ocupando o cargo de Juiz da Paz nas duas primeiras legislaturas. O capitão Antonio de Moraes, neto de Dona Leonor, também foi um dos fundadores do povoado, falecendo em 02 de janeiro de 1850, onde exerceu o cargo de administrador da igreja e depois fabricante, desde 1817 até seu falecimento. Pertencia ao Partido Liberal e foi sepultado no interior da Igreja Matriz.
A freguesia de Nazaré foi elevada a categoria de vila na data de 10 de junho de 1850. Seu respectivo território do qual fazia parte a freguesia de Santo Antônio foi desanexada do município de Atibaia. No final dessa década, já em 1859 pela Lei nº651 de 24 de março, Santo Antônio da Cachoeira foi elevada a categoria de vila e em maio do mesmo ano pela Lei nº26 foi criada a comarca de Bragança, compreendendo além da cidade de mesmo nome, Atibaia, Nazaré, Amparo e Santo Antônio da Cachoeira.
Por meio do Decreto-Lei nº26 da Assembleia Legislativa Provincial, Atibaia, então vila, elevou-se à categoria de cidade na data de 22 de abril de 1864. Posteriormente, Santo Antônio da Cachoeira, por meio da Lei nº59, foi desanexada do termo de Atibaia para pertencer ao termo e comarca de Bragança em 12 de maio de 1877. Quando criada a comarca Atibaia em 22 de abril de 1880 através da Lei nº97 Santo Antônio da Cachoeira associa-se a essa, desmembrando-se de Bragança. Mas em pouco tempo, Santo Antônio da Cachoeira torna-se município, conforme estabelecido na Lei nº62 datada de 21 de março de 1885.
Em 1902 o deputado Gomes Nogueira apresentou um projeto na Câmara dos deputados mudando o nome de Santo Antônio da Cachoeira para Piracaia. Há uma explicação para o acontecido. Santo Antônio da Cachoeira teve seu nome alterado para Piracaia em 20 de agosto 1906 pela Lei nº997. A Assembleia Legislativa de São Paulo lançou-se à tarefa de substituir a denominação de diversos lugares do Estado, em geral de origem portuguesa, por outras, advindas especificamente do Tupi. Assim é que a antiga freguesia de Santo Antônio da Cachoeira, que pertenceu a Atibaia e a Nazaré Paulista, e que tinha esse nome, obviamente, por causa do rio Cachoeira e do Santo protetor da cidade, teve, impositivamente de encontrar uma denominação Tupi para si própria, quando de sua emancipação de distrito para município. O nome escolhido veio de uma grande pedra conhecida por todos da cidade como Piracaia, que literalmente, significa peixe queimado. O que explica o nome da pedra é o fato de, até hoje, desde a época em que ali havia índios, ser ela usada por quem quer que deseje pescar no rio Cachoeira.
Primeiros tempos no povoado
O centro do pequeno vilarejo era o Largo da Matriz, espaço onde se constituiu as construções mais importantes. Já a mais de 50 anos da fundação do povoado, esse local teve um ilustre morador, Amador Guimarães, mais conhecido como Capitão Cirino. Sua casa outrora pertenceu ao padre português Antônio Alvarez de Siqueira e ainda abrigou o Hotel do Pires. O Capitão Cirino ficou popularmente conhecido, pois mandava secar o café no largo em pleno meio-dia. Outro morador também se destacava nos arredores, o Sr. José Paes, proprietário de uma vendinha que ficava fechada pelo simples fato do dono passar o dia caçando. Ainda no largo localizava-se a casa que pertenceu ao padre Camillo e que posteriormente serviu de residência ao tenente-coronel Thomaz Gonçalves da Rocha Cunha, um grande benfeitor local. Em outro local, no meio da mata cerrada encontrava-se a construção da Igreja do Rosário, por tal motivo seu largo dispunha no máximo de 6 casas.
Algumas ruas também demonstravam grande importância, sendo elas: Rua da Calçada que abrigou o Hotel Gabriel, um armazém e outros pequenos comércios; a Rua 15 de Novembro e também a Rua do Pito Aceso, onde à tarde muitos moradores encontravam-se do lado de fora das casas para fumar, essa rua enchia-se de aguadeiras bem humoradas que vinham abastecidas do Rio Cachoeira. A cadeia existente era muito pequena, não havia soldado que tomassem conta da mesma. O comércio era feito diretamente com os roceiros, já que não existiam mercados.
Nos costumes dos cachoeirenses seus divertimentos eram simples, passando pela exibição de belas serenatas para execução de músicas pela banda local. As festas religiosas eram predominantes, havendo também congadas e cavalhadas. As escravas não poderiam parar de dançar. Tempos depois, por volta de 1930 eram os bailes de carnaval realizados no Teatro Sant’ Áurea que mais faziam sucesso, procedidos pelos cordões carnavalescos. Além disso, havia a Festa do Divino, com a famosa disputa da escala do pau-de-sebo. O final do século XIX e início do século seguinte foram de muitas alegrias e fartura, o que coincide com o auge da cafeicultura.

Imigração
As imigrações no Brasil foram patrocinadas pelo Governo a partir da segunda metade do século XIX com o objetivo de trazer trabalhadores aptos a substituir os escravos na agricultura e a executar tarefas necessárias à industrialização e ao desenvolvimento econômico. O movimento cresceu a partir das décadas de 1870 a 1880 estendeu-se até meados do século XX. Com a imigração iniciada trouxe para o País cerca de 4 milhões de trabalhadores, com a maioria vinda da Europa, embora tenha sido significativa a vinda de japoneses. Os europeus migraram para o país com ideias anarquistas e socialistas que são importantes para a organização e o desenvolvimento do movimento operário brasileiro.
Dentre as muitas famílias italianas destaca-se João Poloni, que desembarcou no Brasil no dia 15 de outubro de 1896, na embarcação Arno. Era casado com Joana Baldini que desembarcou no Brasil em janeiro de 1890 na embarcação San Gutardo. Quando chegaram a Piracaia foram trabalhar como colonos no bairro Quatro Cantos, depois adquiriram a fazenda do Sr. Tito Cândido. Outro italiano foi o Santo Paschoal natural de Pádova, chegou ao Brasil em 1889, casado com Maria Paschoal, não tinham filhos e trabalhavam na Fazenda dos Criolos e depois compraram a propriedade, onde plantavam uva, faziam vinho, açúcar e aguardente.
A imigração portuguesa começou com a família Herdade, possuindo várias ramificações, dentre elas a do Sr. Jose Simões Herdade, que veio da região Figueiró dos Vinhos, em meados de 1850 e radicou-se em Piracaia. Além de outras famílias portuguesas existia Francisco Ferreira Simões Brandão que era filho de Augusto Ferreira Brandão e Maria Augusta da Costa Simões, naturais de Mealhada, Portugal. Chegou ao Brasil em 1894, sem seus familiares, residiu em Bragança Paulista e trabalhou na farmácia de Cândido Fontoura, chegando a Piracaia em meados de 1895.
A imigração espanhola ocorreu através das famílias Aranega, Aro, Garcia e Rubio. Aniceto Teles chegou a Piracaia em 1913, vindo de Murcia, Espanha, com sua esposa. O Sr. Aniceto comprou terras no bairro do Barrocão e no local tinha lavoura, o mesmo faleceu em meados de 1961 e sua esposa em 1976. No final da década de 30, famílias japonesas iniciaram sua migração para a cidade de Atibaia em busca de novas terras para a plantação. A chegada do primeiro imigrante japonês se deu, exatamente, em 1928. Foi ele, Tatsuichi Watanabe, quem marcou o início da fixação oriental em Atibaia, se instalando no bairro Yara, para o cultivo de batatas. O segundo imigrante, Harukiti Yamanaka, veio 8 anos depois, em 1936, se instalando no bairro do Maracanã. Na década de 40, outras famílias vieram se estabelecer na cidade: os Nishimura, os Matsuoka, os Nakasu, os Yano, os Kurosawa e os Takebayashi que sofreram restrições em suas atividades comunitárias, em virtude da II Guerra Mundial. Com a abertura da rodovia Fernão Dias, unindo Belo Horizonte a São Paulo, o número de japoneses começou a crescer, possibilitando uma aproximação com outras cidades da região como: Piracaia, Nazaré, Mairiporã, Bragança.
A influência japonesa em Piracaia foi de extrema importância, pois muitas famílias como a de Sheikichi Sudo que veio a Piracaia em meados de 1941 adquiriram terras para o cultivo e começaram a plantar feijão, milho, batata, verduras e outros alimentos. Esses fatos permitiram a prosperação dos imigrantes, que puderam se fortalecer e se consolidar na região.